terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Metrô? Como faz?


Primeiramente: calma. É melhor que antes de partir você faça uma boa busca no Google. Digite: "mapa do metrô de Paris". Clique em imagens... e, por favor, não se assuste.
Vai ver algo parecido com um desenho infantil, daqueles de pré-escola, colorido e enorme.
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Enquanto a rede metropolitana de São Paulo possui 12 linhas, a de Paris está dividida por 8
zonas, que totalizam 14 linhas (nada extraordinariamente diferente), todas indicadas por um número e uma cor. Porém, devo lhes informar que, juntas, elas possuem mais de 300 estações.
O que equivale, mais ou menos, à uma estação a cada três ou quatro quarteirões de uma Boulevard. Parece fantástico (e é!). Afinal, quem precisa de um táxi quando se tem uma estação de metrô a cada esquina?
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Para começar, vamos falar dos tickets. Eles são chamados de "ticket +", são vendidos para uma única viagem e, além disso, incluem um trajeto de ônibus. Se você preferir pode pedir a Carte Orange, vendida por 29 €; essa pode ser usada durante cinco dias inteiros (acredite, fica mais barato do que o táxi). Os preços do ticket + variam dependendo da zona em que você se encontra, sendo que os principais pontos turísticos estão na zona 1 e 2; lá o preço é de 1.60 €. Se você deseja se afastar da cidade, vai ultrapassar para as zonas 3-8 (se precisar ir à Versailles, ou outras cidades ao redor de Paris, por exemplo), nessas o preço é maior.
Depois que você comprou no guichê o seu ticket, passaremos para a estação. A primeira coisa que notei foi, sem dúvidas, o aspecto antigo delas. Todos os corredores são túneis com paredes brancas. O chão é cinza (mais um indício de como franceses gostam de design simples e discreto). Se você pisar forte ou estiver de sapatos, vai ouvir seus passos. Ah, cuidado para não se perder. Algumas estações são enormes, com muitas escadas e bifurcações. Aconselho que você siga o mais antigo dos instintos: procure as placas.
Como franceses amam cinema, não será difícil de ver cartazes e mais cartazes de filmes nos corredores e na pista de embarque.
Por falar em pista de embarque, repare no quão estreitas elas são. Sente-se e espere o trem. Enquanto isso, olhe para cima. Verá uma placa, com o tempo que você vai esperar até ele chegar. Até você ter feito tudo isso, já será necessário levantar, os trens demoram no máximo cinco minutos cada um.
Quando avistá-lo, levará um choque. Pequeno. Bem pequeno. Também muito antigo, lembrando os anos 60, 70. O íncrivel é que ele não se torna feio. Paris tem essa magia de transformar, até os menos atraentes objetos, em encantos.
Espere ele parar... mas, antes disso, você notará as portas se abrindo (sim, antes de ele parar). Isso acontece porque elas são abertas manualmente e, assim que o trem está quase parando, automaticamente se destravam e podem ser abertas (antes que você se faça essa pergunta, eu já respondo: Não, elas não podem ser abertas enquanto o trem estiver transitando de uma estação à outra - "ufa!").
Ao entrar não inspire tão rápido. Dentro, o cheiro é... característico (leia-se: medonho). Não sei a origem dele, mas ele existe (e como!). As portas se fecharão; dessa vez automaticamente. Começa então a pequena e rápida viagem. Quando fui, reparei que o trem balança o suficiente para te incomodar, já que estamos acostumados com a quase leveza dos nossos. Também faz um barulho que leva você a imaginar aqueles filmes de maria-fumaça.
Uma pequena observação: se por acaso você for de pantufas para o metrô, não se preocupe. Ninguém vai lhe notar, pelo menos não consideravelmente (não vá pelado, porque daí fica difícil não lhe perceberem). Aliás, essa é outra característica marcante dos parisienses. A liberdade de como pensar, vestir-se, andar, falar e ver o mundo é extremamente respeitada por eles.
Portanto, pegue toda a sua curiosidade, alguns euros, coragem; junte com um pouco de você e vá dar uma volta de metrô! O seu bolso agradece!

5 comentários:

  1. incrivel! eu adoraria me perder poraí. e pelo jeito é facil :S (vitor)

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  2. Com certeza lá é maravilhoso.!
    Deve ser muito bom se perder por lá... Principalmente com amigos que amamos... Né Gabizuda?

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  3. Uma pessoa que não cansa de pessoas, amante de livros, músicas e...viagens. Sou eu..., sou do mundo, sou Minas Gerais...

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  4. Gabi, de boa, deixei esse comentário no seu blog por ingenuidade. Não sabia que SP estava assim... , tão insegura. Foi mal. Tchau, desculpa aí !!

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  5. Maiara Albuquerque5 de dezembro de 2011 06:20

    Esse texto me ensinou muitoooooo mesmo!!
    Mais uma vez vc me fez entrar na história com vc!!
    Teu detalhismo é impressionante.

    Uma frase apareceu na minha mente quando eu li esse texto:

    "Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí."

    John Lennon

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